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domingo, 18 de novembro de 2007

Liberalismo x Reforma

Gostaria de iniciar esse blog com uma breve reflexão sobre a condição evangélica no Brasil.
É quase uma incógnita como as pessoas conseguem ficar nervosas com a posição das outras. Recentemente eu estive na casa de um amigo e por algum motivo acabamos conversando sobre predestinação. Obviamente, eu discuti minha posição calvinista perante um tribunal arminiano que estava sem qualquer preparo teológico, mas precisamente treinado para reagir a uma posição contrária ao livre arbítrio. Por quê?
Creio que a resposta mais convincente a esta pergunta vem de um ranço muito antigo na cultura evangélica: O tradicionalismo. É evidente que se 100% dos batistas estudassem a Soteriologia, alguns não se encaminhariam para o arminianismo, entretanto somos lecionados em igrejas em que são heréticas posições contrárias a da denominação. As pessoas crêem no que lhes é passado sem o menor preparo e estudos mais aprofundados.
O tradicionalismo já destruiu e continua destruindo nações. O próprio Max Weber nos dirá que a dominação tradicional, apesar de legítima é a que menos provoca mudanças sociológicas. Onde está o lema mor da Reforma Protestante: Igreja Reformada sempre se reformando?
A teologia liberal, com seus carros chefes: Paul Tillich, Karl Barth e Dietrich Bonhoeffer, impregnaram a denominação batista. Somos fadados a escutar sempre as mesmas ladainhas filosófico-eruditas. O grande erro é que isso é agradável. A racionalidade é um presente no pós-modernismo, uma época em que nem tudo é passível de explicação e que nem tudo que não se entende é errado, o racionalismo teológico desses liberais do século XX é deveras confortável.
O relativismo entrou com portas abertas. As conseqüências são mil. O divórcio não é mais errado, comportamento sexual promíscuo é normal, o casamento com descrentes também! Nunca vi uma, uma sequer passagem das escrituras que apoiassem essas atitudes. Daí escutamos Karl Barth ecoando nos ouvidos dos pastores: “o importante é a mensagem central das escrituras, ela em si, é errante”. Essa mensagem é passada para nós assim como os falsos mestres passavam as “grandes heresias” antigamente (vide 3 João). Negue um pequeno pedaço das Escrituras e estará correndo o risco de negá-la por inteiro.
Aí sou criticado porque uso a fé. Dom imputado de Deus a mim. Sou criticado porque pela fé creio na preservação e na inerrância das escrituras, sou criticado porque pela fé creio no soberano ato divino de eleição daqueles que são seus.
Por isso prefiro o pietismo, por isso prefiro os puritanos, por isso prefiro os calvinistas. Não porque são posições que me agradam mais e sim porque é a posição que combinam mais com o caráter do nosso Deus.
Não nos deixemos levar pelo orgulho tradicionalista, sejamos evangélicos reformados, sejamos crentes de que existe uma sã doutrina, mas que só é alcançada pelo estudo das escrituras.



Soli Deo Gloria, Sola Gratia, Sola Fide, Sola Scriptura, Solo Christo.